A poesia de Paulo Bertran curva-se sobre si mesma e em si reconhece o tempo univalve, inteiro, total como um marisco ou um fruto. E avança na direção onde o recuo à origem não cessa de aprofundar-se em busca de restituir o imaginário que é seu e do homo cerratensis, iluminando as tantas figuras de uma odisséia, que ascendem à dinastia de um arcaísmo de sertão e cerrado. Sertão em que os deuses evadiram-se, mas deixaram pegadas, ou talvez os deuses ainda aqui existam, mas diferentes de como os imaginamos. Por não conhecê-los, não os vemos, não os reconhecemos.
Cerratenses